Está imóvel. Imagem reflectida. Corpo, apenas corpo Espelho algum conseguiria mais. São cacos disformes e pontiagudos e afiados Que magoam e torturam e cortam e rompem O corpo que o espelho reflecte, Como ele está imóvel Como ele foi quebrado.
Tenho no meu baú guardada Toda a minha história. Aquela que todos conhecem E aquela que só eu. Não falo de fotografias ou postais Ou lembranças ou recortes de jornais Mas de algo que transcende objectos estando inevitavelmente a eles ligado... Algo além de imagens captadas no momento... E por tudo isso tão meu. Não tem chave, não tem segredo, não tem esconderijo. Está em constante movimento... eu e ele.
Esta névoa vai para além do tempo metereológico Prolonga-se pelo tempo cronometrado pelo relógio Pelo seu tic-tac constante e metódico Por cada tic e cada tac tacteia-se uma mudança Às vezes não perceptivel ao tacto Mas mais existente e persistente.
Existem catástrofes que não são possiveis evitar: as naturais. Em nome de delas juntam-se pessoas de todo o Mundo, indiferentes à cor da pele, às crenças religiosas e às convicções politicas... Mas, e quando as catástrofes não são de origem natural? Quando são provocadas por gente naturalmente sem escrúpulos? Porque não vemos esta união para as parar?